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	<title>Arquivos Opinião - Caldas Notícias</title>
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	<description>Contra fatos não há argumentos</description>
	<lastBuildDate>Mon, 19 Feb 2024 12:13:06 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivos Opinião - Caldas Notícias</title>
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		<title>Religioso e vaidoso: relembre a trajetória de Abilio Diniz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Amin Brumana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 12:13:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem acompanhou a trajetória de Abilio Diniz, provavelmente não associaria os adjetivos que o acompanharam por toda a vida com a</p>
<p>O post <a href="https://caldasnoticias.com.br/religioso-e-vaidoso-relembre-a-trajetoria-de-abilio-diniz/">Religioso e vaidoso: relembre a trajetória de Abilio Diniz</a> apareceu primeiro em <a href="https://caldasnoticias.com.br">Caldas Notícias</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acompanhou a trajetória de <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/abilio-diniz/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Abilio Diniz</b></a>, provavelmente não associaria os adjetivos que o acompanharam por toda a vida com a figura de um compenetrado devoto que passava quase toda a homilia de joelhos postados no genuflexório.</p>
<p class="continue-read-break" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Diniz raramente faltava à última missa dos domingos na pequena Paróquia São José, do <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/jardim-europa-sao-paulo/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Jardim Europa</b></a>. Ia com a esposa Geyze Diniz e os filhos do casal. Ali, entregava-se a um silêncio quase absoluto e nunca dispensava a hóstia sagrada na hora da comunhão, tampouco a água benta. Diniz sempre se disse religioso, mas a prática fervorosa do catolicismo, era familiar apenas aos paroquianos da São José.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Diniz <a href="https://www.estadao.com.br/economia/abilio-diniz-falecimento/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>morreu neste domingo, 18, aos 87 anos de idade</b></a>, de insuficiência respiratória, após três semanas internado no <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/hospital-albert-einstein/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Hospital Albert Einstein</b></a>, na capital paulista, com pneumonite.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">A imagem que Diniz leva consigo é a do estrategista arrojado, frio, objetivo; o empresário que redesenhou o varejo brasileiro. Primogênito entre seis irmãos, Abilio Diniz começou como ajudante na doceria Pão de Açúcar, fundada em 1948 pelo pai, o imigrante português Valentim dos Santos Diniz. Estudou administração de empresas pela <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/fgv-fundacao-getulio-vargas/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Fundação Getulio Vargas</b></a> e, incentivado pelo pai, planejava a expansão dos negócios da família. O supermercado <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/pao-de-acucar-empresa/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Pão de Açúcar</b></a> nasceu em 1959. Nos anos 1970 inauguraram o primeiro hipermercado do País, com a marca Jumbo.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Nos anos 80, por exemplo, os Diniz atuavam em mais de 20 tipos de comércio — de loja de departamento a lojas de bricolagem, hiper e supermercados espalhados por quase toda a cidade de São Paulo, e empregavam nada menos que 50 mil trabalhadores.</p>
<h3 class="article-sub-heading">Endividamento</h3>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Mas se a empresa cresceu, o endividamento também e seu Valentim, como era conhecido o patriarca, resolveu distribuir 38% das ações entre os filhos, seguindo o critério da produtividade, que nos dias atuais seria chamado de meritocracia. Abilio ficou com 16%, enquanto Alcides e Arnaldo, receberam 8% cada. As três filhas, que não trabalhavam na empresa, tiveram direito a 2% cada uma. Dessa divisão nasceu a primeira grande disputa pública, essa da família.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">O histórico de disputas em que se envolveu ao longo da vida rendeu a Abilio Diniz a fama de bom de briga. Mas, em pelo menos uma, o resultado não foi favorável.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Diniz chegou a se afastar da empresa na década no fim dos anos 1980 e início da década seguinte. Quando voltou, encontrou a empresa ainda mais endividada e com poucas chances de recuperação. A falência rondava a marca. Mas o empresário fechou um acordo com a família, assumiu 51,1% do controle acionário e colocou a casa em ordem com uma série de medidas amargas, como vender as operações no exterior e diminuir o tamanho da folha de pagamentos.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Outubro de 1995 marca a entrada da empresa na bolsa de valores de São Paulo. A oferta pública de ações (IPO na sigla em inglês), injetou US$ 112 milhões nos cofres do Grupo Pão de Açúcar, e uma emissão de títulos nos <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/estados-unidos-america-do-norte/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Estados Unidos</b></a>, trouxeram outros US$ 172 milhões.</p>
<h3 class="article-sub-heading">Parceiro estratégico</h3>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Após o IPO, Abilio passou a procurar um parceiro estratégico que trouxesse mais recursos à empresa &#8211; que, a esta altura, já havia iniciado um agressivo plano de expansão, comprando marcas então famosas no varejo brasileiro e paulista, como Sendas, do <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/rio-de-janeiro-estado/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Rio de Janeiro</b></a>, Mambo e Pamplona, em São Paulo. Foi nesta época que a rede francesa Casino apareceu no radar.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">No primeiro aporte, em 1999, o Casino desembolsou US$ 854 milhões para ficar com 24,5% no Grupo Pão de Açúcar. Aumentou seu cacife em 2005, com mais US$ 890 milhões e sua participação foi a 34%. A essa altura, o Grupo Pão de Açúcar tinha se tornado a maior empresa de varejo do País, com faturamento maior que as concorrentes <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/walmart/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Walmart </b></a>e <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/carrefour/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Carrefour </b></a>— somados.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Porém, o contrato com o <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/casino/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Casino </b></a>previa que, em 2012, Abilio iria para o conselho de administração, enquanto os franceses se tornariam majoritários no negócio.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Anos mais tarde, Abilio Diniz diria que assinar o contrato com o Casino foi o maior erro de sua vida empresarial.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Enquanto não chegava a data de se “aposentar” do dia a dia da empresa, Diniz continuava a fazer lances espetaculares no mundo dos negócios. Comprou a varejista <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/assai-supermercado/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Assaí</b></a>, e as redes de eletrodomésticos <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/ponto-frio/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Ponto Frio</b></a> e <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/casas-bahia/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Casas Bahia</b></a>, que deu origem à <a href="https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/via-varejo/" target="_blank" rel="noopener" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}"><b>Via Varejo</b></a>, até hoje tida como a maior aquisição do comércio brasileiro.</p>
<div class="intra-article-module" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;intraArticle&quot;,&quot;t&quot;:13}"></div>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Publicamente tudo ia muito bem. Já nos bastidores, o empresário negociava uma parceria com outros franceses. A estratégia aqui era trazer o Carrefour para a sociedade, diluir o controle acionário do Pão de Açúcar e continuar no comando da operação. Faltou combinar com os franceses. Neste caso, os franceses do Casino.</p>
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<div class="ln-right-title title-ranking">&#8220;Ser feliz, aprender e compartilhar&#8221;, o legado de Abilio Diniz</div>
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<div class="ln-right-title title-ranking">Abílio Diniz: ‘Coloca na minha lápide: Eu estou aqui, mas eu vim contra a minha vontade’</div>
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<div class="ln-right-title title-ranking">&#8216;Não me considero idoso, nem velho. Estou seguindo a vida&#8217;, diz Abilio Diniz</div>
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</div>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Uma figura até então desconhecida no Brasil, Jean Charles Naouri, que comandava o Casino e era o responsável pela negociação com o Pão de Açúcar, não só não topou o negócio, como se disse traído pelo sócio brasileiro.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Novamente o nome de Diniz passava a frequentar bancas estreladas de advogados, estampar as páginas dos jornais, e a alimentar as fofocas do mundo corporativo. Por fim, ele deixou definitivamente a companhia em 2013.</p>
<div class="intra-article-module" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;intraArticle&quot;,&quot;t&quot;:13}"></div>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Menos de um ano depois, o empresário voltava ao varejo. Agora, na condição de sócio do Carrefour, com a aquisição de 10% da operação brasileira, por pouco mais de 500 milhões de euros. A esta altura, já na casa dos 80 anos, Diniz também se tornou sócio da BRF, guarda-chuva sob o qual se abrigaram Sadia e Perdigão após a fusão. Ao melhor estilo do empresário, sua saída do conselho de administração da BRF não foi nada pacífica, com outros investidores pedindo seu afastamento.</p>
<h4>Esforço e vaidade</h4>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Apesar da fama e fortuna, Diniz levou uma vida privada relativamente discreta. À exceção da fantástica forma física que cultivou ao longo dos anos, na adolescência faltaram-lhe altura e sobravam-lhe quilos. Como o “gordinho” da turma, virou saco de pancada. Bem a seu estilo, em vez de lamentar o biotipo, virou um obcecado por exercícios físicos. Diniz gostava de exibir os músculos bem torneados, a pele sempre bronzeada e o ar fresco da juventude num corpo octogenário.</p>
<div class="intra-article-module" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;intraArticle&quot;,&quot;t&quot;:13}"></div>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Extremamente vaidoso, ficou conhecida sua insistência em ensinar os primeiros netos a chamá-lo de “tio Abilio” em vez de vovô.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">A obsessão pela forma física era, segundo ele afirmava, uma preocupação com qualidade de vida na terceira idade. “Envelhecer é uma certeza, mas envelhecer com qualidade é uma escola”, dizia.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Abilio Diniz casou-se duas vezes. Com a primeira esposa, Maria Auriluce Falleiros, teve quatro filhos: Ana Maria, João Paulo, Adriana e Pedro Paulo. Do segundo casamento, com Geyze Diniz, nasceram Rafaela e Miguel.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Nos últimos anos, comandava o conselho de administração da Península Participações, sob o qual estão os ativos da família Diniz.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">O homem que redesenhou o varejo brasileiro, nasceu em 28 de dezembro de 1936. Se em vida Abilio dos Santos Diniz colecionou adjetivos ligados à sua personalidade forte, sua morte representa, sem dúvida, o fim do brilho ímpar que ele emprestou ao mundo dos negócios no Brasil.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Por Estadão</p>
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		<title>Injustiça</title>
		<link>https://caldasnoticias.com.br/injustica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[caldasnoticias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Sep 2023 11:55:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Milito na área do direito penal há mais de 30 anos. Leciono há quase esse tempo; tenho oito livros escritos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Milito na área do direito penal há mais de 30 anos. Leciono há quase esse tempo; tenho oito livros escritos nesta seara; mais de duas centenas de artigos publicados e proferi inúmeras palestras, nem sei quantas, por todo o Brasil.</p>
<p data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Sempre analisei tecnicamente o direito de modo a não cometer injustiças. Não gostaria de ter em minha consciência a condenação de inocentes.</p>
<p class="continue-read-break" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}">Culpados que foram inocentados, vi inúmeros. Diversas vezes tinha a plena certeza de que a pessoa era culpada, mas a Justiça entendeu não haver provas suficientes para a condenar ou existir vício processual que maculava toda prova produzida. E é assim mesmo que ela deve funcionar. Eu mesmo pedi inúmeras vezes a absolvição justamente pela existência de dúvida instransponível, que chamamos de fundada.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Dói demais quando pessoas são presas sem o menor indício da prática de algum delito que as levaria à prisão ou mesmo sem terem cometido nenhum crime. E, mesmo assim, em uma sanha punitiva, acabam presas, muitas vezes sem a menor ideia do que está a ocorrer.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Pior, ainda, não raras vezes, apenas para dar exemplo ou mesmo por ódio pelo resultado produzido por alguns, processa-se e condena-se a todos, sem se importar com o que cada um fez ou sua intenção (dolo) em o fazer.</p>
<div class="article-clear-div" tabindex="-1" aria-expanded="true"></div>
<div class="div-related-embed" tabindex="-1" data-content-embed-type="auto" data-reset-char-count="true" aria-expanded="true"></div>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Uma das coisas que sempre ensinei é que não se faz possível a punição “por baciada”, que chamamos de coletiva. Não é porque uma pessoa dentre muitas cometeu uma infração penal, que iremos prender e acusar a todas elas por não termos como identificar o verdadeiro culpado. Urge, nesta hipótese, investigar melhor para individualizar a conduta de cada uma e punir apenas o autor do delito e não quem apenas estava no local e nada fez. Se isso não for possível, nenhuma delas pode ser acusada e muito menos presa.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">O direito penal não pune o particular que se omite e não impede a prática de crime. Somente quem tem o dever jurídico de agir é que possui a obrigação de impedir a produção do resultado. Posso citar como exemplo, os policiais. Não sou em quem diz isso, mas o Código Penal em seu artigo 13, § 2º.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Simplesmente estar ao lado de quem cometeu um delito sem ter dele participado, seja auxiliando, instigando, induzindo ou mesmo previamente o combinando, não enseja a participação nele.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Pretender empregar a teoria dos crimes multitudinários para justificar a ausência de individualização da conduta a fim de punir a todos (de baciada), pouco importando a conduta praticada, ou ausência dela, fere o devido processo legal e o direito penal constitucional.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">O crime multitudinário é o cometido pela multidão em tumulto, isto é, pela turba muitas vezes enfurecida, o que é comum nos linchamentos e nas brigas entre torcidas.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Contudo, só será possível condenar a turba pelo mesmo crime quando houver o vínculo psicológico entre os participantes para a prática desse mesmo delito, malgrado algumas pessoas tenham efetivamente realizado os atos executórios (coautores) e outras apenas dele participado, seja induzindo, instigando ou auxiliando materialmente os autores (partícipes), nos exatos termos do que diz o artigo 29 do Código Penal.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Em casos desse tipo, não sendo materialmente possível individualizar a conduta de cada um, como pretenderam o mesmo resultado, a denúncia pode apenas descrever o fato principal e imputar a todos os participantes (coautores e partícipes) o mesmo resultado (naturalístico ou jurídico).</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Por outro lado, mesmo em linchamentos e brigas entre torcidas, ou seja, nos crimes multitudinários em geral, há aqueles que efetivamente quiseram o resultado morte ao agredirem a vítima ou vítimas (dolo direto); que, muito embora não quisessem o resultado, assumiram o risco que ele ocorresse (dolo eventual); que queriam apenas agredir e causar lesões corporais, mas o resultado morte adveio por sua culpa (crime preterdoloso &#8211; lesões corporais seguida de morte); que queriam apenas agredir e causar ferimentos (lesões corporais); que incentivaram os demais a causar determinado resultado (responderão de acordo com sua intenção e resultado produzido). E há, ainda, aqueles que nada fizeram e nada quiseram, muitas vezes estando apenas no local, tentando separar a turba ou para impedir que o resultado se produzisse; neste caso, sequer crime há, pelo contrário.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">O direito foi criado justamente para regular a vida social, prevenir a prática de infrações e punir quem as cometeu, mas sempre dentro da legalidade estrita.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Para isso, existem regras que devem ser obedecidas, previstas na Constituição Federal e na legislação em geral, exatamente para se punir os verdadeiros culpados e proteger os inocentes.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Punição sem culpa é ato arbitrário, despótico e execrável, típico de países totalitários em que não há estado de direito.</p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true">Em um verdadeiro estado democrático de direito, como já dizia Voltaire: <i>“É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente”.</i></p>
<p class="" tabindex="-1" data-t="{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}" aria-expanded="true"><i>*</i><b>César Dario Mariano da Silva, procurador de Justiça – MPSP. Mestre em Direito das Relações Sociais – PUC/SP. Especialista em Direito Penal – ESMP/SP. Professor e palestrante. Autor de diversas obras jurídicas, dentre elas: Comentários à Lei de Execução Penal, Manual de Direito Penal, Lei de Drogas Comentada, Estatuto do Desarmamento, Provas Ilícitas e Tutela Penal da Intimidade, publicadas pela Editora Juruá</b></p>
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