Quem é Tatiana Sampaio, a pesquisadora que desenvolveu a polilaminina para recuperação de paraplégicos e tetraplégicos
Pesquisadora da UFRJ desenvolve tecnologia inédita que pode estimular regeneração neural após lesões medulares graves
A bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio alcançou um marco histórico em janeiro de 2026, quando a Anvisa autorizou os primeiros ensaios clínicos em humanos com a polilaminina. A substância, desenvolvida ao longo de décadas de pesquisa, é apontada como uma alternativa promissora para estimular a regeneração neural em casos de lesão medular grave. O avanço abre caminho para testar, em ambiente regulado, a segurança e a eficácia da tecnologia que já apresentou resultados animadores em estudos experimentais.

Professora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio lidera o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular desde o início dos anos 2000. Sua trajetória acadêmica está profundamente ligada ao estudo da biologia celular e regenerativa. A cientista ganhou reconhecimento internacional ao identificar uma forma polimerizada da proteína laminina, capaz de atuar como estrutura de suporte para a reconstrução de tecidos nervosos lesionados, recuperando movimento de paraplégicos e tetraplégicos.
Formada em Biologia, com especialização voltada à biologia celular e molecular da matriz extracelular, a pesquisadora dedicou sua carreira a entender como o ambiente ao redor das células influencia sua forma e função. Realizou estágios de pós-doutorado em imunoquímica na University of Illinois, nos Estados Unidos, e aprofundou pesquisas sobre inibidores de angiogênese na University of Erlangen-Nuremberg, na Alemanha. As experiências internacionais ampliaram o alcance de suas investigações.
O interesse pela laminina surgiu ainda no fim dos anos 1990. Ao estudar proteínas estruturais presentes na matriz extracelular, Tatiana Sampaio identificou o potencial da polimerização dessa molécula. Dessa descoberta nasceu a polilaminina, descrita como uma malha orgânica capaz de orientar o crescimento celular e estimular a regeneração de axônios, estruturas responsáveis por conduzir impulsos entre o cérebro e o corpo.
Os primeiros testes em humanos
Os primeiros experimentos realizados com roedores e cães trouxeram indícios consistentes de recuperação motora após lesões graves na coluna. A aplicação direta da polilaminina no local da lesão mostrou capacidade de favorecer a reorganização das fibras nervosas. Em alguns casos, cães que haviam perdido movimentos voltaram a apresentar funções motoras relevantes depois do tratamento.
Tatiana Sampaio possui parceria com farmacêutica Cristália para produção da polilaminina
Desde 2021, a pesquisadora mantém parceria com a farmacêutica Cristália para viabilizar a produção da polilaminina em escala industrial. A colaboração busca garantir padrões rigorosos de qualidade e preparar a substância para as etapas clínicas exigidas pelos órgãos reguladores. A aproximação entre universidade e indústria acelerou a transição da pesquisa acadêmica para aplicações terapêuticas.
A tecnologia foi patenteada, com validade prevista até o fim da década. O registro assegura proteção intelectual e posiciona a inovação brasileira em destaque no cenário internacional. A medida também cria bases para futuros investimentos e amplia o interesse de instituições estrangeiras no acompanhamento dos estudos.
Com a aprovação dos ensaios clínicos em janeiro de 2026, o projeto entra em uma fase decisiva. Os testes permitirão avaliar em detalhes como a polilaminina atua no organismo humano e quais protocolos oferecem maior segurança. O processo é acompanhado de perto por especialistas que veem na iniciativa uma possível mudança de paradigma no tratamento de lesões medulares.
Fonte: Gazeta Culturismo.
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