Goiás

Economia goiana deve crescer acima da média nacional em 2026, avaliam economistas

Para economistas ouvidos pelo Jornal Opção, apesar dos riscos do cenário nacional e internacional, a base produtiva goiana segue sólida

A economia goiana chega a 2026 com um conjunto de fatores que sustentam projeções otimistas. Após um desempenho acima da média nacional em 2025, o Estado entra em um ano marcado por eleição geral, início da transição da Reforma Tributária e impactos indiretos da adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Para economistas ouvidos pelo Jornal Opção, apesar dos riscos do cenário nacional e internacional, a base produtiva goiana segue sólida, com destaque para o agronegócio, a indústria associada ao campo e o avanço gradual de novos vetores, como mineração e energia.

Agronegócio é um dos segmentos que contribuem para o bom resultado de Goiás | Foto: Reprodução

Na avaliação de César Bergo, economista e sociólogo, professor de Mercado Financeiro da Universidade de Brasília (UnB), Goiás tem apresentado, nos últimos anos, uma pujança econômica que o coloca em posição diferenciada em relação ao restante do país. Segundo ele, o crescimento acima da média nacional não é episódico, mas resultado de uma estrutura produtiva fortemente ancorada no agronegócio.

César Bergo é economista, sociólogo e professor de Mercado Financeiro da UnB | Foto: Arquivo Pessoal

“A economia de Goiás está muito ligada ao agronegócio. À medida que o setor apresenta desempenho positivo, a economia goiana acompanha esse movimento”, afirma. Para Bergo, a expectativa é de continuidade desse cenário em 2026, impulsionado pela força do setor rural e por sua capacidade de irradiar crescimento para outras atividades, como a indústria de máquinas agrícolas, fertilizantes, defensivos e logística.

Além do campo, o economista destaca a presença de polos industriais relevantes, como Anápolis e Rio Verde, que contribuem para diversificar a economia estadual. “Goiás tem indústria têxtil, setor automotivo e um polo industrial importante. Houve, inclusive, mudanças no mix de produção da indústria automobilística em Anápolis, o que tende a melhorar o desempenho do setor”, observa.

Para Bergo, esse conjunto de fatores deve garantir que o Produto Interno Bruto (PIB) goiano siga crescendo acima da média nacional em 2026, mantendo o Estado como a segunda maior economia do Centro-Oeste, atrás apenas do Distrito Federal. “Não há perspectiva de perda dessa posição. Pelo contrário, Goiás pode até se aproximar mais do DF, embora este tenha características próprias por concentrar o poder político-administrativo do país”, avalia.

Outro ponto destacado pelo economista é o papel das políticas estaduais de incentivo ao desenvolvimento. Programas voltados às micro e pequenas empresas, segundo ele, contribuem para um crescimento mais distribuído entre os municípios. “Você observa cidades se desenvolvendo de forma mais sustentável, além de regiões com vocação turística, como Caldas Novas, que seguem em expansão”, diz.

Ano eleitoral e gasto público

O ano de 2026 será marcado por eleições federais e estaduais, o que tradicionalmente eleva o nível de gastos públicos. Para Bergo, esse fator não pode ser ignorado nas projeções econômicas. “Em ano eleitoral, os cofres públicos se abrem. Além disso, há a liberação de emendas parlamentares, que irrigam os estados, e Goiás não é diferente”, afirma.

Segundo ele, esse aumento de gastos tende a impulsionar a atividade econômica no curto prazo, ainda que não seja o principal motor do crescimento estadual. “O vetor determinante continua sendo o agronegócio e a indústria a ele ligada. O gasto público ajuda, mas não é o que sustenta a economia goiana”, ressalta.

Na avaliação do professor, a gestão estadual também pesa positivamente no cenário. “O governo tem buscado recursos e investimentos para o Estado, o que é importante. Goiás tem tradição política e, mesmo com as polarizações normais de um ano eleitoral, não vejo risco de ruptura no rumo econômico”, afirma.

Embora o agronegócio siga como principal pilar, Bergo vê espaço para avanços em outros setores, especialmente na mineração. Goiás possui áreas com potencial mineral significativo, incluindo terras raras, fosfato e outros minérios estratégicos. “Goiás investiu muito em tecnologia e começa a colher esses frutos. A questão central é como explorar esses recursos”, pondera.

Para ele, o desafio está em evitar um modelo baseado apenas na extração. “Explorar terras raras sem agregar valor não é o caminho. O que tenho observado é uma preocupação dos órgãos estaduais em estimular parcerias para beneficiamento desses metais no próprio Estado, o que pode dar um salto de qualidade em termos de investimento e emprego”, explica.

Bergo reconhece, no entanto, que esse tipo de projeto exige elevados volumes de capital. “São investimentos caros, mas que geram benefícios no entorno, fortalecem a infraestrutura e ampliam a atratividade do Estado”, diz. Ele também destaca o avanço de Goiás em energias alternativas como diferencial competitivo. “O provimento energético é um fator importante para atrair investimentos, e Goiás está à frente de muitos estados nesse aspecto”, avalia.

Apesar disso, o economista reforça que a força do agronegócio ainda está muito à frente dos demais setores. “Vai demorar para que outras atividades cheguem perto do peso que o campo tem hoje. Mas o agronegócio eficiente e produtivo gera recursos que acabam sendo reinvestidos em mineração, energia e outros setores”, conclui.

Base sólida

O economista Bruno Fleury também projeta um cenário positivo para a economia goiana em 2026. Para ele, o desempenho registrado em 2025 cria uma base sólida para a continuidade do crescimento. “Goiás cresceu bem acima da média nacional em 2025 e deve repetir o feito em 2026, puxado evidentemente pelo agronegócio”, afirma.

Bruno Fleury é economista | Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Fleury, o Estado foi o segundo que mais cresceu no país em 2025, com alta de 4,8%, enquanto o Brasil deve ter ficado em torno de 2%. “Esse diferencial mostra a força da economia goiana e sua capacidade de resistir a um ambiente macroeconômico mais restritivo”, avalia.

Na análise do economista, o agronegócio e todos os setores relacionados a ele seguirão em ritmo de crescimento, embora o cenário internacional exija atenção. “Podem surgir turbulências nas relações comerciais com parceiros importantes, como Estados Unidos e China. O governo federal terá que administrar essas relações com cuidado para que questões políticas não prejudiquem o comércio”, alerta.

Fleury aponta que o principal entrave ao crescimento mais acelerado da economia brasileira, e por consequência da goiana, segue sendo a elevada taxa de juros. “As projeções indicam uma Selic em torno de 12% no final do ano, o que ainda é muito alto”, afirma.

Para ele, o Banco Central do Brasil tem poucas alternativas enquanto a inflação não converge para o centro da meta. “A taxa de juros é praticamente o único remédio disponível, já que o governo não sinaliza cortes de gastos para equilibrar o orçamento. Pelo contrário, medidas de incentivo ao consumo acabam dificultando uma queda mais rápida da inflação”, avalia.

Mesmo assim, Fleury reconhece que o ano eleitoral tende a estimular a economia. “As eleições fazem circular mais recursos, o que representa um aquecimento adicional da atividade econômica”, diz.

Investimentos, emprego e riscos

Quanto ao nível de investimentos, Fleury avalia que 2026 deve registrar um incremento, especialmente no setor público. “Em ano eleitoral, obras precisam ser entregues e inauguradas antes do pleito. Isso representa aumento da aplicação de recursos tanto do governo estadual quanto do federal, com impacto positivo na economia”, afirma.

Já os investimentos privados, segundo ele, devem seguir a média dos últimos anos, com foco na manutenção e ampliação da participação de Goiás no PIB nacional. “O Estado tem conseguido atrair investimentos e manter um ambiente relativamente favorável aos negócios”, observa.

Entre as oportunidades para 2026, Fleury destaca a continuidade da demanda global por alimentos e commodities, além da possibilidade de queda gradual da Selic. “Se os juros começarem a cair, investimentos financeiros tendem a ser substituídos por investimentos produtivos, com atração de novos negócios”, explica. A baixa taxa de desemprego em Goiás também é apontada como fator de sustentação do consumo.

Por outro lado, os riscos permanecem no radar.

“O déficit fiscal crescente, a inflação resistente, conflitos comerciais globais, alta carga tributária e uma infraestrutura logística ainda deficiente podem impactar negativamente um cenário que poderia ser ainda mais promissor”, alerta.

Apesar dos desafios, a avaliação conjunta dos economistas é de que Goiás entra em 2026 em posição privilegiada no cenário nacional. Com uma economia diversificada, forte base agroindustrial, investimentos públicos em alta por conta do calendário eleitoral e potencial de expansão em áreas como mineração e energia, o Estado deve manter um ritmo de crescimento superior ao do país.

“O dinamismo da economia goiana é muito interessante. Não vejo, no curto prazo, uma mudança de rumo”, resume César Bergo. Para Bruno Fleury, o cenário é de cauteloso otimismo. “Os fundamentos são bons. Se os riscos forem bem administrados, Goiás tem tudo para seguir como um dos motores do crescimento regional em 2026”, completou.

Fonte: Jornal Opção.
Foto: Reprodução.

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