Projeto de curso em Cooperativismo da UFG entra na fase decisiva e depende de aval do MEC
O projeto para tornar a Universidade Federal de Goiás (UFG) a terceira instituição do país a oferecer o bacharelado em Cooperativismo ganhou um novo capítulo. Muito além de uma graduação, o curso pensado para ser implantado no campus de Caldas Novas foi estruturado como o pontapé inicial para a criação de um Centro de Excelência em Cooperativismo. A meta é transformar o município goiano em uma referência nacional e internacional no setor nos próximos anos.
Atualmente, o bacharelado na área é uma raridade no ensino superior do país, restrito apenas às universidades federais de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, e de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. O projeto pedagógico goiano já está em fase de finalização pela UFG, em parceria com o Sistema OCB/GO, e aguarda a validação do Ministério da Educação (MEC) para viabilizar o início das aulas.

A justificativa para a abertura do curso ganha força com o desempenho recente do setor no estado. Conforme dados do Anuário do Cooperativismo de 2025, Goiás conta com mais de 266 cooperativas associadas ao Sistema OCB, somando 614.530 cooperados e gerando mais de 19.162 empregos diretos.
Ao Jornal Opção, o professor da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (Face-UFG) e um dos idealizadores do projeto, Juliano Lima Soares, explicou que o bacharelado é uma resposta direta a esse impacto econômico e social. “O cooperativismo em Goiás vem se destacando expressivamente ao longo dos últimos anos. O bacharelado em Cooperativismo visa contribuir diretamente com o desenvolvimento e fortalecimento dessas organizações e das regiões onde elas operam. O curso nasce justamente como a primeira etapa do projeto de criação do Centro de Excelência”, explica.
A necessidade de qualificação também é endossada pelo presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, que destaca o crescimento acelerado do setor. “Hoje o cooperativismo cresce muito em Goiás e demanda profissionais específicos. Muitos entram sem entender exatamente o que é o cooperativismo e aprendem na prática. Com o curso, teremos colaboradores formados, estudando as leis e os marcos regulatórios desde a base”, ressalta.
Diferente de outras experiências pelo país, o curso goiano já nasce integrado com linhas de atuação voltadas para a transferência direta de tecnologia para o mercado. A proposta pedagógica prevê o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas e de extensão divididas em dois grandes eixos: a Cooperação para o Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar e a Estratégia, Inovação e Gestão de Cooperativas.
O professor Juliano destacou que essas linhas proporcionam aos docentes possibilidades para o desenvolvimento em pesquisas em todos os ramos do cooperativismo. “Além de permitir a elaboração de projetos de transferência de tecnologia e conhecimento às cooperativas parceiras do curso”, explica.
Com a forte presença do agronegócio na região, a graduação terá esse viés voltado à produção rural, sem deixar de cobrir os demais ramos. O Sistema OCB/GO inclusive colocou a estrutura do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) à disposição para garantir que a grade curricular dialogue perfeitamente com a realidade prática do mercado.
Como vai funcionar
O curso será abrigado no campus de Caldas Novas, em uma área de 256 hectares que pertencia à antiga vila de trabalhadores da Usina Hidrelétrica de Corumbá. A estrutura está sendo recuperada pela universidade e já conta com espaço para alojamento, salas de aula e restaurante.
A escolha da pedagogia de alternância, onde o estudante passa um período imerso no campus e outro atuando em sua comunidade, foi estratégica para democratizar o acesso à formação, segundo o professor. “Espera-se que a pedagogia da alternância possibilite o acesso de alunos residentes em diversos municípios goianos e de outros estados. Esse período de imersão será transformador, pois permitirá aos discentes regressar para suas comunidades e cooperativas para refletir e implementar as inovações aprendidas em sala de aula”, ressalta.
A proposta prevê a oferta de 80 vagas anuais, divididas em duas turmas de 40 alunos por semestre, em um regime presencial de 4 anos (8 semestres). No futuro, o planejamento inclui a expansão para programas de pós-graduação, pós-doutorado e uma incubadora de cooperativas dentro do próprio campus.

Próximos passos
Para que o projeto saia do papel e a primeira turma seja lançada entre 2027 e 2028, a proposta agora depende da aprovação do MEC. O trâmite institucional envolve a validação do projeto pedagógico, a liberação de orçamento e a abertura de vagas para a contratação dos professores que farão parte do corpo docente. A reitora da UFG, Sandramara Matias, reforça que a união de forças políticas e do setor produtivo será essencial nesta reta final para acelerar o processo em Brasília.
Fonte: Jornal Opção.

