Estratégia ou improviso? Goiás repete a tradição de definir chapas na reta final
Os partidos políticos em Goiás estão esperando até o último momento para divulgar as chapas. É claro que em política, tudo se torna discurso que justifica a ação. Mas devemos suspeitar, porque quase sempre se trata de indecisão mesmo. Lembre-se, tomar o caminho errado, a estratégia equivocada, pode custar muito caro para uma sigla. Principalmente, para aquelas que dependem mais do arranjo partidário do que precisamente dos votos nas urnas.
Nesse sentido, aguardam, aguardam… até não restar nenhuma dúvida. Mas, em muitos casos, perdem grandes oportunidades. Ou melhor dizendo, deixam elas passarem entre os dedos. O ditado popular “mais vale um pássaro na mão do que dois voando” não significa nada para as legendas goianas.
Em outro sentido de análise, não vale a pena para muitos partidos “bater o martelo”, tomar uma decisão, se lá na frente surge um acordo muito melhor. Mas será que sempre ocorre assim, como esperado? Acredito que não. O que se vê, na verdade, é um movimento constante de casamentos e divórcios.
O curioso é que, ao esperar demais, os partidos acabam transmitindo uma imagem de insegurança para seus próprios aliados. A política não se faz apenas de cálculos frios, se faz também de confiança e percepção pública. Quando uma legenda hesita em definir sua chapa, abre espaço para especulações, rumores e até desmobilização de sua base.
O eleitor percebe a indecisão e, muitas vezes, interpreta como falta de preparo ou de clareza sobre o projeto e os princípios que se pretende defender. Nesse jogo, a demora pode ser vista como fragilidade, e não como prudência.
Por outro lado, há quem defenda que a flexibilidade é uma virtude. Em um cenário político marcado por negociações constantes, manter as portas abertas até o último instante pode render acordos inesperados e fortalecer alianças improváveis. O risco, porém, é que essa espera se transforme em paralisia.
A política exige coerência dos princípios, ao menos publicamente, e quem não se posiciona cedo o suficiente pode ser atropelado por quem já está em marcha. Em Goiás, o dilema entre estratégia e amadorismo continua sendo o retrato fiel de partidos que vivem entre o cálculo e a hesitação, sempre tentando equilibrar entre a certeza e a incerteza.
Fonte: Jornal Opção.
Foto: Ilustrativas.

