Saúde

Férias escolares elevam procura por cirurgias infantis; veja quando o procedimento não deve ser adiado

Escolha do período busca evitar prejuízos ao calendário escolar durante a recuperação

Com a suspensão das aulas, cresce a procura por cirurgias eletivas entre crianças e adolescentes. Entre os procedimentos mais realizados nesta época do ano estão a retirada das amígdalas e da adenoide, além da colocação de tubos de ventilação nos ouvidos. O período é visto por muitas famílias como a melhor oportunidade para que a recuperação ocorra sem comprometer a frequência escolar, mas especialistas alertam que a decisão sobre o momento da cirurgia deve ser pautada pela necessidade médica e não apenas pelo calendário.

De acordo com a coordenadora da Pediatria do Einstein em Goiânia, Quíssila Batista, o acompanhamento pediátrico é fundamental para identificar precocemente doenças que acometem ouvido, nariz e garganta. Durante as consultas de rotina, o pediatra consegue observar sinais como infecções recorrentes, aumento das amígdalas e da adenoide, alterações respiratórias, dificuldades auditivas, rinite, sinusite e problemas no desenvolvimento da fala.

Segundo a especialista, quando essas condições não são tratadas no momento adequado, os impactos podem ir além dos sintomas imediatos. Alterações na qualidade do sono, dificuldades de aprendizagem, déficit de atenção, atraso no desenvolvimento da linguagem e comprometimento do crescimento estão entre as consequências que podem surgir ao longo da infância.

A definição da necessidade cirúrgica é feita após avaliação individual de cada paciente. A otorrinolaringologista Melissa Avelino explica que sintomas como ronco persistente, sono agitado, pausas respiratórias durante a noite, episódios frequentes de amigdalite, infecções de ouvido de repetição e perda auditiva são alguns dos principais indicativos para o procedimento.

“O objetivo é evitar que a criança permaneça por longos períodos convivendo com alterações que interferem no sono, na audição, no aprendizado e na qualidade de vida”, destaca a médica.

Ela ressalta que, quando existe indicação clínica, adiar a cirurgia apenas para coincidir com as férias pode significar meses adicionais de desconforto e prejuízos ao desenvolvimento infantil.

Antes da operação, a recomendação é que a criança esteja sem infecções respiratórias ou inflamações agudas, como otites e sinusites, reduzindo os riscos do procedimento. A recuperação costuma ser rápida e, na maioria dos casos, o retorno às atividades escolares ocorre em cerca de uma semana. Dependendo da cirurgia realizada, atividades físicas mais intensas e esportes aquáticos podem permanecer restritos por até duas semanas.

Atendimento busca reduzir ansiedade antes da cirurgia

Além da segurança assistencial, o preparo emocional das crianças também tem recebido atenção nos centros especializados. No Einstein em Goiânia, o ambiente cirúrgico foi planejado para tornar a experiência menos estressante tanto para os pacientes quanto para os familiares.

Entre as iniciativas estão recursos lúdicos utilizados no percurso até o centro cirúrgico. Conforme a faixa etária, as crianças podem ser conduzidas em carrinhos temáticos ou estruturas adaptadas, utilizando capas de super-herói, passaporte infantil e óculos de realidade virtual durante a preparação para o procedimento.

Outra medida adotada é a presença de um dos responsáveis durante a indução anestésica. O acompanhante permanece ao lado da criança até o início da anestesia, estratégia que busca proporcionar maior sensação de segurança e acolhimento em um momento que costuma gerar ansiedade para toda a família.

Fonte: Jornal Opção.

Foto: Jornal Opção / Reprodução

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