Economia

Endividamento atinge 82% das famílias brasileiras e permanece no maior nível da história

Pesquisa aponta que oito em cada dez famílias possuem dívidas; inadimplência pesa principalmente no orçamento da população de menor renda

O endividamento das famílias brasileiras permanece em nível recorde. Em agosto de 2026, 82% dos lares do país tinham algum compromisso financeiro a vencer, mesmo percentual registrado em julho e o maior desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

O levantamento, divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), considera dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnês, crédito pessoal e financiamentos de veículos e imóveis.

É importante destacar que estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente. Uma família que utiliza o cartão de crédito ou paga um financiamento, por exemplo, é considerada endividada, mesmo que todas as parcelas estejam em dia.

O problema se agrava quando a renda já não é suficiente para cumprir os compromissos assumidos. Segundo a Peic de agosto de 2026, as famílias que recebem até três salários mínimos foram as únicas a registrar avanço da inadimplência no mês. Nas demais faixas de renda, houve estabilidade ou redução.

Famílias mais pobres são as mais afetadas

A situação é mais delicada entre os brasileiros de menor renda. Em julho, 84,9% das famílias que recebiam até três salários mínimos estavam endividadas. Nesse grupo, 38,5% tinham contas atrasadas e 17,8% afirmavam que não conseguiriam pagar as pendências financeiras.

Os números mostram que o problema não está apenas no volume de dívidas, mas também no tipo de crédito utilizado. Modalidades como cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimo pessoal costumam cobrar juros elevados e podem transformar uma pendência pequena em uma dívida difícil de controlar.

O cartão de crédito continua sendo o principal meio de endividamento das famílias brasileiras. Apesar de ser utilizado no dia a dia como forma de pagamento, o atraso da fatura pode resultar na cobrança de juros altos e comprometer o orçamento dos meses seguintes.

Quase metade da renda comprometida com dívidas

Os indicadores do Banco Central também mostram pressão sobre o orçamento doméstico. Em abril de 2026, o endividamento das famílias com o sistema financeiro correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses. O comprometimento mensal da renda com o pagamento das dívidas estava em 28,2%.

Em maio, o estoque de crédito concedido às famílias alcançou R$ 4,6 trilhões, crescimento de 11,2% em 12 meses. A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas chegou a 62,8% ao ano, enquanto a inadimplência nesse segmento atingiu 7,6%, conforme a nota de crédito do Banco Central.

Juros altos dificultam a recuperação

Mesmo com sinais positivos no mercado de trabalho, os juros elevados continuam dificultando a reorganização financeira das famílias. Quem precisa contratar um novo empréstimo para pagar dívidas antigas corre o risco de entrar em um ciclo de renegociações, principalmente quando recorre a modalidades mais caras.

O próprio Banco Central aponta que o comprometimento de renda e a inadimplência podem tornar as condições de crédito mais restritivas. Instituições financeiras tendem a exigir mais garantias, reduzir limites ou cobrar juros maiores de consumidores considerados de maior risco.

Para evitar o agravamento das dívidas, especialistas recomendam identificar todos os valores em aberto, priorizar as contas com juros mais altos, evitar novas compras parceladas e procurar os credores para negociar descontos ou condições de pagamento que caibam no orçamento.

Fontes: Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e Banco Central do Brasil/Enquanto Isso em Goiás.

Foto: Reprodução.

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