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Democratas conquistam controle do Congresso dos EUA e impõem derrota histórica a Trump

Partido de oposição garante maioria na Câmara e no Senado, conquista cadeiras em redutos republicanos e obriga presidente americano a negociar para avançar com sua agenda política

As eleições legislativas realizadas nos Estados Unidos na terça-feira, 3, provocaram uma mudança significativa no cenário político americano. O Partido Democrata conquistou a maioria das cadeiras na Câmara dos Representantes e no Senado, encerrando o domínio republicano sobre o Congresso e impondo um duro revés ao presidente Donald Trump.

A vitória democrata foi confirmada na madrugada desta quarta-feira, 4, durante a apuração das chamadas midterms, eleições realizadas na metade do mandato presidencial. O resultado amplia o poder da oposição para fiscalizar o governo, influenciar a aprovação de leis e dificultar a implementação de propostas defendidas pela Casa Branca.

No Senado, os democratas alcançaram 54 das 100 cadeiras, ultrapassando a marca necessária para garantir o controle da Casa. O partido conquistou 20 assentos nas disputas deste ano, incluindo sete que estavam sob domínio republicano.

Até a última atualização dos resultados apresentados, os republicanos somavam 44 senadores, enquanto outras duas disputas permaneciam indefinidas.

A mudança também foi expressiva na Câmara dos Representantes. Os democratas asseguraram pelo menos 228 cadeiras, número superior às 218 necessárias para formar maioria absoluta. Desse total, 25 foram conquistadas em distritos anteriormente representados por republicanos, distribuídos por mais de dez estados.

Os republicanos haviam garantido 139 vagas, enquanto 68 ainda aguardavam definição.

Com o novo cenário, Trump terá de enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante a segunda metade de seu mandato. A composição das duas Casas poderá dificultar a aprovação de projetos governistas e ampliar a pressão política sobre a administração republicana.

Trump reconhece derrota, mas sinaliza resistência aos democratas

Apesar do resultado desfavorável ao seu partido, Donald Trump afirmou estar disposto a reconhecer a decisão dos eleitores e buscar entendimentos com os democratas.

Em entrevista ao jornal americano The New York Times, o presidente declarou que pretende estabelecer uma relação de negociação com os parlamentares da oposição, mesmo diante das divergências políticas.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou.

Trump também admitiu a possibilidade de construir acordos para viabilizar medidas de interesse do governo.

“Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, acrescentou.

A declaração representa uma mudança de postura em relação aos dias anteriores à votação, quando o republicano havia condicionado o reconhecimento dos resultados à realização de eleições que considerasse legítimas.

Entretanto, a disposição para negociar não significa que o presidente deixará de utilizar os instrumentos disponíveis para barrar propostas da oposição.

Antes mesmo da conclusão da apuração, Trump publicou nas redes sociais a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”, em referência à possibilidade de rejeitar projetos aprovados pelo Congresso.

Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, o republicano já havia antecipado que poderia recorrer frequentemente a esse mecanismo.

“Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, declarou.

Na avaliação do presidente, a rejeição sucessiva de propostas poderia pressionar os democratas a negociar diretamente com a Casa Branca.

“Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, disse.

Democratas surpreendem em redutos republicanos

Entre os resultados mais expressivos das eleições estão as vitórias democratas em estados tradicionalmente associados ao Partido Republicano.

No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton e encerrou um período de 38 anos sem que um democrata fosse eleito senador pelo estado. A disputa ganhou destaque nacional pelo envolvimento direto de Trump, que havia apoiado Paxton durante as primárias republicanas.

A escolha do candidato provocou divergências internas na legenda. Lideranças republicanas haviam alertado que Paxton poderia enfrentar dificuldades na eleição geral, comprometendo as chances de manutenção da cadeira.

Outro resultado surpreendente ocorreu na Carolina do Sul, onde Annie Andrews venceu Darline Graham. A conquista representou a primeira vitória democrata para o Senado no estado em 28 anos.

Graham havia recebido o apoio de Trump, apesar das críticas de integrantes do próprio Partido Republicano sobre sua experiência política. Ela disputava a vaga anteriormente ocupada por seu irmão, Lindsey Graham, após a morte dele.

Em Ohio, o ex-senador democrata Sherrod Brown também conseguiu uma vitória importante ao derrotar o republicano Jon Husted, que contou com a participação de Trump em eventos de campanha.

As derrotas de candidatos apoiados pelo presidente em estados conservadores ampliaram o impacto político das eleições e evidenciaram dificuldades enfrentadas pelos republicanos mesmo em regiões consideradas favoráveis ao partido.

Partido mantém cadeiras estratégicas e amplia presença no Senado

Além de conquistar vagas anteriormente ocupadas por republicanos, os democratas conseguiram preservar assentos considerados importantes para a formação de sua maioria.

Na Geórgia, o senador Jon Ossoff garantiu a reeleição ao superar o deputado republicano Mike Collins. O estado era visto pela oposição como uma das principais oportunidades para ampliar sua representação no Senado.

Em New Hampshire, Chris Pappas derrotou o ex-senador John Sununu e conquistou a cadeira deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu encerrar sua trajetória no Congresso.

Os democratas também avançaram na Carolina do Norte e confirmaram a permanência de nomes conhecidos da política americana.

Cory Booker foi reeleito em Nova Jersey, enquanto Ed Markey garantiu mais um mandato por Massachusetts. No Colorado, John Hickenlooper também conseguiu permanecer no Senado.

Em Illinois, Juliana Stratton venceu a disputa pela vaga de Dick Durbin, mantendo o assento sob controle democrata.

O conjunto dessas vitórias permitiu ao partido não apenas recuperar o comando do Senado, mas também construir uma vantagem superior à maioria mínima necessária.

Entenda o impacto das eleições de meio de mandato

As chamadas midterms acontecem a cada dois anos nos Estados Unidos e recebem essa denominação quando coincidem com a metade do mandato presidencial.

Diferentemente das eleições presidenciais, essas votações não definem quem ocupará a Casa Branca, mas podem modificar profundamente a relação de forças entre o Executivo e o Legislativo.

A Câmara dos Representantes possui 435 integrantes, todos eleitos para mandatos de dois anos. Por isso, sua composição é renovada integralmente em cada eleição legislativa.

Já o Senado é formado por 100 parlamentares, com mandatos de seis anos. A renovação ocorre de maneira escalonada, com aproximadamente um terço das cadeiras submetido ao voto popular a cada dois anos.

Nas eleições de 2026, estavam em disputa as 435 vagas da Câmara e 35 assentos do Senado.

Com a vitória democrata nas duas Casas, o governo Trump passa a depender de negociações mais complexas para aprovar projetos legislativos e medidas orçamentárias. O Congresso também poderá intensificar investigações e a fiscalização sobre decisões da administração federal.

Embora o presidente mantenha a prerrogativa de vetar projetos aprovados pelos parlamentares, o resultado das urnas representa uma alteração importante no equilíbrio institucional de Washington e abre uma nova fase de disputas entre a Casa Branca e a oposição.

Fonte: Jornal Opção.

Foto: Reprodução.

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