Caldas Novas

Catador de recicláveis torturado ao ser preso por engano por matar e estuprar mulher é indenizado 32 anos após o crime

Albino de Sousa foi confundido com um assassino e teve sua história marcada por um crime que não cometeu. Caso aconteceu em 1991.

O idoso Albino de Souza foi preso e acusado sem provas de estuprar e matar uma mulher em Anápolis, a 55 km de Goiânia. O caso aconteceu em 1991, ele foi confundido com um assassino e ainda foi torturado.

“Eles só disseram: ‘Você está preso’, pegaram e me levaram. E eu falando: ‘ Não foi eu não’ e já foram me dando pancada. Chegamos na delegacia: ‘Pegamos ele, delegado! O criminoso aqui’. Vocês vão me matar e eu não vou falar que foi eu”, disse Albino.

A Secretaria de Segurança Pública disse à TV Anhanguera que em 1991, as apurações das condutas dos policiais civis envolvidos na prisão injusta de Albino foram encaminhadas ao Poder Judiciário, mas o Tribunal de Justiça de Goiás informou caso foi prescrevido em 1997 e os réus não chegaram a ser julgados.

A história dele ficou marcada por um crime que ele não cometeu. Na época, a situação foi notícia na imprensa goiana.

A prisão dele aconteceu no dia 18 de março de 1991, quatro dias após o crime. Ele foi liberado no dia 21 quando o verdadeiro culpado pelo crime apareceu.

Na época ele era trabalhador braçal, tinha 29 anos e afirmou que levou chutes, socos, tapas, choque elétrico e foi colocado em um “pau de arara”. Até hoje Albino tem marcas da tortura no corpo.

Por muito tempo, Albino foi catador de lixo para sobreviver. Ele chegou a perder seus documentos em uma enchente, não tinha endereço fixo e vivia em situação de rua. Albino morou até em um canil abandonado em Caldas Novas.

Com o dinheiro da indenização, Albino conseguiu comprar uma casa e hoje sonha com um futuro melhor.

“Minha vida mudou depois dessa casa. Vou continuar minha vida, meu trabalho e na honestidade com a certeza de que o que eu quero, eu vou fazer”, disse Albino.

“Até hoje aqui, desde aquela época, não sai não”, disse.

 

Após quatro anos da saída da prisão, em 1995, Albino procurou a Justiça com seus advogados. Ele passou 18 anos nos tribunais tentando provar o erro do estado.

Apenas em 2013, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu a favor pela indenização, ou seja, uma reparação enquanto ele ficou indevidamente preso.

Durante essa espera Albino e os advogados perderam o contato e começou uma busca para ele receber a indenização do estado. Por 10 anos, os advogados procuraram Albino por Anápolis e só o encontraram no ano passado, em 2023.

Por G1

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