Seis universidades com curso de medicina em Goiás podem ser punidas pelo MEC após avaliação negativa
Instituições que receberam notas 1 e 2 no Enamed serão supervisionadas pelo ministério e poderão ter redução de vagas, proibição de novos alunos e outras medidas. Exame objetiva avaliar qualidade do ensino.
Seis universidades, faculdades e centros universitários de Goiás que tiveram resultados ruins na avaliação dos seus cursos de medicina podem ser punidas pelo Ministério da Educação (MEC). Essas instituições foram submetidas ao Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) , em 2025, que avalia a qualidade do ensino, e obtiveram notas consideradas insatisfatórias.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/x/6/psMAtHTBiF1dOcFc2Teg/mec.jpg)
As notas do Enamed vão da faixa 1 à 5, sendo as três mais altas consideradas satisfatórias pelo MEC. As instituições mal-avaliadas em Goiás e os respectivos polos de ensino, que receberam notas 1 e 2 no exame, foram:
Nota 1
- Faculdade Zarns – Itumbiara
- Unicerrado – Goiatuba
- Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan) – Aparecida de Goiânia
- Universidade de Rio Verde (UniRV) – Goianésia e Formosa
Nota 2
- Universidade de Rio Verde (UniRV) – Aparecida de Goiânia e Rio Verde
- Faculdade Morgana Potrich (Famp) – Mineiros
- Centro Universitário de Mineiros (Unifimes) – Trindade e Mineiros
De acordo com o MEC, os cursos que obtiveram notas 1 e 2 no exame serão submetidos a ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do ministério. Entre essas ações estão:
Nota 1: suspensão de ingresso de novos alunos ou redução de ofertas de vagas, de acordo com percentuais de desempenho nessa faixa; e suspensão da participação no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outros programas federais.
Nota 2: redução de vagas ou proibição de aumento de vagas; e suspensão da participação no Fies no caso dos cursos com 40% a 50% de concluintes proficientes.
Avaliação nacional
O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina. Ele permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica.
O MEC informou que 351 cursos de medicina de todo o país participaram do Enamed no ano passado. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições públicas federais e as instituições privadas. Desse total, 67,1% tiveram conceito satisfatório (notas 3 a 5 do Enade). Outros 99 cursos (32%) obtiveram conceito nas faixas 1 e 2.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou, por meio de nota, que o objetivo do exame é fornecer um diagnóstico da formação médica no país, mostrando as instituições que estão tendo um bom desempenho e as que precisam melhorar.
Em nota divulgada em seu perfil do Instagram, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) destacou que nenhum curso de medicina de Goiás recebeu a nota máxima (5) no Enamed e afirmou que os resultados revelam os danos da “abertura indiscriminada de escolas médicas”, sem o suporte técnico e prático para a boa formação de novos profissionais.
O Conselho defendeu, ainda, a implementação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed), cuja proposta de criação tramita no Congresso Nacional. O objetivo da avaliação, segundo o Cremego, seria analisar mais profundamente o ensino médico.
Em nota enviada ao g1, a Faculdade Zarns afirmou que não foi oficialmente comunicada sobre o resultado, mas que o Enamed cumpre seu papel como instrumento diagnóstico e que “os resultados orientam ações já em andamento”. Disse, ainda, que reforça seu compromisso com a evolução permanente dos processos acadêmicos. Leia a íntegra da nota ao final da reportagem.
O g1 procurou as instituições de ensino citadas na reportagem, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Leia a íntegra da nota da Faculdade Zarns:
“Apesar de não ter sido oficialmente comunicada, para a Faculdade Zarns Itumbiara, o Enamed cumpre seu papel como instrumento diagnóstico. Os resultados orientam ações já em andamento, voltadas ao fortalecimento da formação acadêmica e ampliação de estratégias de acompanhamento e desempenho dos estudantes.
A instituição reforça seu compromisso com a evolução permanente dos processos acadêmicos, sustentada por um projeto pedagógico consistente — já reconhecido em outras unidades do Grupo Clariens Educação —, e pela formação de médicos altamente preparados”.
Fonte: G1.Goiás.
Foto: Metrópoles.

