Eleições 2026

Quem são os candidatos de cada partido? Dados do TSE revelam diferenças nas profissões

Levantamentos com dados do TSE mostram maior presença proporcional de policiais e militares em partidos de direita, enquanto professores se concentram nas siglas de esquerda

A profissão declarada pelos candidatos nas eleições de 2026 ajuda a revelar diferenças no perfil de quem disputa votos pelos partidos brasileiros. Enquanto policiais e militares têm presença proporcionalmente maior em legendas identificadas com a direita, professores aparecem com mais força entre candidatos de partidos de esquerda.

Os dados fazem parte de levantamentos realizados pelo Nexo a partir das informações registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cerca de 1,2 mil policiais e militares concorrem a cargos eletivos neste ano, o equivalente a 5,8% do total de candidaturas. O percentual diminuiu em relação às eleições de 2022, quando esse grupo representava 6,5% dos candidatos.

Entre os professores, são mais de 1,3 mil candidatos. Um em cada 15 nomes registrados para a disputa eleitoral se apresenta como docente, o equivalente a 6,6% das mais de 20 mil candidaturas. A participação proporcional permaneceu próxima à observada quatro anos atrás.

A distribuição dessas profissões, entretanto, muda significativamente conforme o partido.

Policiais e militares têm maior presença no PL

Entre policiais e militares, o PL apresenta a maior proporção. Segundo o levantamento, 11,8% dos candidatos da legenda possuem ocupação ou nome de urna relacionado às forças de segurança. Na sequência aparecem Democrata, com 9,3%; Republicanos, com 9,2%; União Brasil, com 9,1%; e PRD, com 8,4%.

A presença diminui à medida que aparecem partidos mais identificados com a esquerda. No PT, policiais e militares correspondem a 1,1% das candidaturas. No PSOL, são 0,8%. PSTU, PCO, PCB e UP não possuem candidatos classificados dessa forma no levantamento.

Para chegar aos números, foram adotados dois critérios. O primeiro considera a profissão informada pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral. Ao todo, 956 pessoas declararam ocupações como policial militar, policial civil, bombeiro militar, militar reformado ou integrante das Forças Armadas.

O segundo critério considera o nome escolhido para aparecer na urna. Nesse grupo, 790 candidatos utilizam referências a cargos ou patentes, como delegado, sargento e coronel. Desses, 545 também declararam alguma profissão relacionada à segurança.

Outro traço é a predominância masculina. Homens representam 80,8% das candidaturas de policiais e militares, enquanto correspondem a 65,1% do conjunto de candidatos das eleições deste ano.

Militares da ativa não podem permanecer filiados a partidos políticos. Para concorrer, precisam deixar o serviço ativo, embora possam utilizar a patente no nome de urna.

Professores têm cenário inverso

Quando a profissão analisada é a de professor, o desenho partidário praticamente se inverte. Os seis partidos com maior proporção de docentes entre seus candidatos são identificados com a esquerda.

O PSTU lidera, com professores representando 32,6% das candidaturas. Depois aparecem PCdoB, com 22,4%; PCB, com 17,4%; PSOL, com 16,9%; UP, com 16%; e PT, com 15,9%.

Juntas, essas seis legendas concentram 418 candidatos professores, quase um terço do total identificado pelo levantamento.

No outro extremo estão principalmente partidos associados à direita. Professores representam 3,8% das candidaturas do PP, 3,5% no Republicanos, 3,5% no Democrata e 3,4% no PL. O menor percentual é do PRTB, que não possui candidato classificado como professor pelos critérios adotados.

O contraste fica particularmente evidente no PL e no PT. Na legenda de Flávio Bolsonaro, 11,8% dos candidatos são policiais ou militares e 3,4% são professores. No PT, ocorre o inverso: professores correspondem a 15,9% dos candidatos, enquanto policiais e militares representam 1,1%.

Mulheres têm maior presença entre professores

O perfil de gênero também diferencia os dois grupos profissionais. Enquanto as candidaturas vinculadas às forças de segurança são predominantemente masculinas, a participação feminina entre professores é superior à média geral das eleições.

As mulheres correspondem a 45,5% dos professores candidatos. Considerando todas as candidaturas registradas, a participação feminina é de 34,8%. Metade dos docentes que concorrem neste ano tem até 51 anos, enquanto a idade mediana do conjunto dos candidatos é de 49 anos.

No levantamento sobre docentes, foram considerados tanto aqueles que declararam “professor” como ocupação ao TSE quanto candidatos que incorporaram “professor” ou “professora” ao nome de urna. A metodologia pode deixar de fora profissionais da educação que tenham informado outra ocupação, como parlamentar ou servidor público.

Os dois levantamentos mostram, assim, que a composição profissional das candidaturas não ocorre de maneira uniforme entre as legendas. Em 2026, o perfil ligado à segurança pública aparece proporcionalmente mais presente nas siglas de direita, enquanto a docência ganha maior espaço entre os partidos de esquerda.

Fonte: Jornal Opção.

Foto: Jornal Opção / Reprodução.

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