Em Goiás, busca por apoio no SUS para largar o cigarro dispara 64%, revela Ministério da Saúde
Levantamento detalha o cenário do tabagismo no estado e aponta novos desafios: enquanto a taxa histórica de fumantes na capital recua, o avanço de dispositivos eletrônicos entre os jovens acende o sinal amarelo
A procura por ajuda para parar de fumar cresceu 64% em Goiás, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. O aumento considera moradores que buscaram tratamento e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar a dependência da nicotina.
O crescimento indica maior procura pelos serviços públicos destinados à cessação do tabagismo e ocorre em um momento de mudanças no perfil de consumo de produtos com nicotina. Enquanto o cigarro convencional perdeu espaço ao longo das últimas décadas, o avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar, principalmente entre os mais jovens, passou a representar um novo desafio para as autoridades de saúde.
Pelo SUS, pessoas que desejam abandonar o cigarro podem receber acompanhamento profissional e, conforme avaliação clínica, utilizar medicamentos para auxiliar no tratamento. A estratégia considera que a dependência da nicotina é uma condição crônica e que deixar de fumar pode exigir diferentes abordagens.
Goiânia registra queda no número de fumantes
Os dados históricos mostram que Goiânia reduziu a proporção de adultos fumantes nas últimas duas décadas. Segundo o Vigitel, sistema do Ministério da Saúde que acompanha fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais brasileiras, o percentual passou de 13,3%, em 2006, para 11,1%.
A diferença representa uma redução de 2,2 pontos percentuais no período. O movimento ocorreu em meio à ampliação das políticas de controle do tabagismo adotadas no Brasil, incluindo restrições ao consumo de cigarros em ambientes coletivos fechados, limitações à publicidade e a utilização de advertências nas embalagens dos produtos.
Apesar do recuo observado em Goiânia no longo prazo, o cenário nacional voltou a exigir atenção. Dados recentes apontam que a proporção de adultos fumantes no Brasil chegou a 11,7%, depois de um longo período marcado pela redução do indicador.
A preocupação não está restrita aos cigarros convencionais. A disseminação de cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes ou pods, acrescentou um novo componente às políticas de prevenção ao tabagismo.
Cigarro eletrônico avança entre jovens
O crescimento do uso dos dispositivos eletrônicos é mais evidente entre os adultos jovens. Na população de 18 a 24 anos, a frequência de usuários passou de 7,4%, em 2019, para 10,1%, o maior percentual registrado na série histórica para essa faixa etária.
O avanço chama atenção porque esses dispositivos também podem expor os usuários à nicotina, substância responsável pela dependência associada ao tabagismo. A popularização entre pessoas mais jovens preocupa as autoridades sanitárias diante do risco de formação de uma nova geração de dependentes.
O cenário cria um contraste com os resultados obtidos nas últimas décadas no combate ao cigarro tradicional. Ao mesmo tempo em que campanhas de conscientização e medidas regulatórias contribuíram para reduzir o número de fumantes, novas formas de consumo de nicotina passaram a alcançar principalmente as faixas etárias mais jovens.
Dependência está relacionada a dezenas de doenças
O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica provocada pela dependência da nicotina e está associado a mais de 50 doenças e condições de saúde.
Entre elas estão diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios crônicos. O cigarro também está fortemente relacionado ao câncer de pulmão, sendo apontado como responsável por cerca de 90% dos casos da doença.
A dependência ajuda a explicar por que abandonar o cigarro nem sempre é um processo simples. Além dos efeitos físicos da nicotina, hábitos construídos ao longo dos anos e fatores comportamentais podem dificultar as tentativas de parar de fumar.
É justamente nesse ponto que o acompanhamento profissional pode fazer diferença. Em vez de depender exclusivamente da interrupção do consumo por iniciativa própria, o fumante pode procurar atendimento e receber uma estratégia de tratamento adequada ao grau de dependência e às características individuais.
SUS registrou 2,1 milhões de atendimentos
A maior procura observada em Goiás acompanha uma demanda significativa pelos serviços de saúde em todo o país. Em 2025, as Unidades Básicas de Saúde brasileiras contabilizaram 2,1 milhões de atendimentos relacionados ao tratamento do tabagismo, segundo o Ministério da Saúde.
O acompanhamento oferecido pelo SUS é gratuito e pode começar pela avaliação clínica do paciente e do grau de dependência da nicotina. A partir dessa análise, os profissionais definem a estratégia mais adequada para cada pessoa.
O tratamento pode envolver acompanhamento individual ou em grupo, além de suporte terapêutico durante o processo de abandono do cigarro.
Quando há indicação profissional, também podem ser utilizados medicamentos. Entre as possibilidades estão terapias de reposição de nicotina, como adesivos e gomas, além da bupropiona.
Para quem deseja parar de fumar, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde. A equipe poderá avaliar o caso e informar quais modalidades de acompanhamento estão disponíveis na rede pública do município.a dependência em Goiás continua sendo procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência para se informar sobre o fluxo de atendimento e os grupos de apoio locais.
Fonte: Jornal Opção.
Foto: Reprodução / Banco de Imagens.

