Crise em Ceuta se agrava: migrantes podem chegar a 60 mil e mortes na travessia aumentam
Mesmo com aumento do volume migratório, já há registros de marroquinos retornando ao país de origem
A crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, se intensificou nesta sexta-feira (31), um dia após a entrada em massa de pessoas pela fronteira com o Marrocos. Autoridades locais estimam que entre 49 mil e 60 mil migrantes tenham cruzado para o território espanhol nas últimas 24 horas. O número é muito superior às primeiras estimativas divulgadas na quinta-feira (30), quando se calculava que entre 2 mil e 3 mil pessoas haviam feito a travessia.
O fluxo de marroquinos continuou durante a madrugada desta sexta-feira, com novos confrontos entre policiais e migrantes. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pessoas arremessando pedras na região da fronteira, enquanto milhares de jovens passaram a noite dormindo nas ruas de Ceuta. Segundo as autoridades, dos que cruzaram a fronteira, pelo menos 7 mil são menores de idade.
O número de mortes também aumentou. Enquanto os primeiros balanços apontavam ao menos 18 vítimas, as autoridades de Ceuta informaram que 34 pessoas morreram tentando atravessar a rota marítima, considerada uma das mais perigosas para quem tenta chegar à Europa.
Diante da pressão sobre a cidade, o Ministério do Interior da Espanha informou que cerca de 25 mil migrantes já retornaram ao Marrocos. Segundo o primeiro-ministro Pedro Sánchez, as autoridades espanholas passaram a orientar os imigrantes de que a fronteira permanece aberta para que aqueles que entraram irregularmente possam voltar voluntariamente.
Sánchez desembarcou em Ceuta nesta sexta-feira para acompanhar a operação de perto. O governo espanhol mantém militares na região e afirma atuar em conjunto com o Marrocos para conter novas travessias, enquanto o fluxo de pessoas em direção à cidade marroquina de Fnideq, ponto de partida para a fronteira, continua elevado.
A nova onda migratória ocorre poucas semanas após a Suprema Corte da Espanha decidir que migrantes interceptados no mar a caminho de Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos sumariamente ao Marrocos. A decisão é apontada por analistas como um dos fatores que podem ter incentivado o aumento das tentativas de entrada no território espanhol.

