Investimento em biometano coloca Goiás como precursor da mobilidade sustentável no país
Goiás tem assumido protagonismo nacional na transição energética ao estruturar um modelo inédito de produção e uso de biometano voltado ao transporte coletivo. O estado é o primeiro do país a integrar, de forma planejada, a geração do combustível renovável, a criação de infraestrutura de distribuição e sua aplicação em ônibus urbanos, consolidando uma cadeia que conecta sustentabilidade, inovação e mobilidade pública.
A iniciativa coloca Goiás à frente de outros estados ao transformar resíduos orgânicos em energia limpa para abastecer o sistema de transporte de passageiros. A estratégia reúne investimentos em usinas, gasoduto e renovação da frota da Região Metropolitana de Goiânia, criando uma alternativa ao diesel e fortalecendo a adoção de fontes renováveis.
O modelo pioneiro combina políticas públicas, participação da iniciativa privada e aproveitamento do potencial agroindustrial goiano, criando um ecossistema voltado à redução de emissões e à independência energética. O avanço posiciona o estado como laboratório nacional para soluções de mobilidade sustentável aplicadas em larga escala.
Ao unir produção, distribuição e consumo de biometano, Goiás cria uma cadeia integrada que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar o uso de resíduos orgânicos como fonte energética.
O projeto, que ainda está em fase inicial, favorece o desenvolvimento regional, impulsiona novos investimentos e fortalece uma economia baseada na circularidade e no reaproveitamento de materiais.

Goiás cria infraestrutura inédita para biometano
A mobilidade urbana de Goiânia passa por uma transformação com a entrada em operação dos primeiros ônibus articulados movidos a biometano em circulação regular no Brasil. A iniciativa integra a modernização da Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), que já havia incorporado ônibus elétricos e agora amplia a matriz energética do transporte público com combustível renovável. O projeto também inclui a implantação da primeira usina de biometano e do primeiro gasoduto de Goiás, criando uma estrutura inédita para abastecimento em larga escala.
O biometano surge como alternativa estratégica para reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade do transporte coletivo em Goiás. Produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, o combustível passa a abastecer a frota da RMTC, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e contribuindo para a melhoria da qualidade do ar. A iniciativa faz parte do maior programa de modernização do transporte público em andamento no Brasil, com investimentos superiores a R$ 2,5 bilhões.
Os novos ônibus foram desenvolvidos por meio de parceria entre empresas do setor e contam com tecnologia voltada para eficiência e segurança. Os veículos possuem autonomia superior a 400 quilômetros, desempenho semelhante ao diesel e sistema de armazenamento de biometano de alta capacidade. Com a combinação entre frota elétrica e movida a biometano, Goiás se posiciona como referência nacional na transição energética, conectando mobilidade urbana, aproveitamento de resíduos e inovação em infraestrutura.

Biometano amplia aplicações na indústria e no transporte
O biometano tem ganhado destaque como uma alternativa renovável ao gás natural, com aplicações em diferentes setores da economia. No uso residencial e comercial, ele pode abastecer fogões, aquecedores e sistemas de climatização, sem exigir mudanças significativas nos equipamentos já existentes. Isso permite uma transição energética mais acessível, mantendo praticidade e eficiência no consumo diário.
Na indústria, o biometano é utilizado principalmente em processos que demandam altas temperaturas, como fornos, caldeiras e sistemas térmicos. Setores como siderurgia, cerâmica, vidro, alimentos e química conseguem substituir combustíveis fósseis por uma fonte renovável, reduzindo emissões e aumentando a sustentabilidade das operações. Além disso, o biometano também pode atuar como matéria-prima em processos industriais e na produção de compostos químicos.
Outra aplicação estratégica está no transporte e na geração de energia. O biometano pode abastecer veículos movidos a gás natural comprimido, como ônibus, caminhões e frotas pesadas, contribuindo para a descarbonização da mobilidade urbana e logística. Também é empregado em sistemas de cogeração, produzindo eletricidade e calor simultaneamente, o que amplia a eficiência energética em indústrias, propriedades rurais e edificações.

Goiás se destaca na mobilidade sustentável
O Estado estruturou uma cadeia produtiva que envolve desde a geração do combustível a partir de resíduos orgânicos até sua aplicação em ônibus urbanos, tornando-se referência nacional em mobilidade sustentável.
Ex-secretário-geral do governo de Goiás e pré-candidato a vice-governador na chapa de Daniel Vilela, Adriano da Rocha Lima afirma ter participado da concepção da iniciativa e destaca que o Estado antecipou uma tendência que agora começa a ser replicada em outras regiões do país.
“Sim, o biometano é um projeto que eu trouxe para Goiás”, afirma Adriano. Segundo ele, Goiás identificou o potencial da tecnologia antes de outros estados e estruturou um modelo capaz de conectar produção, distribuição e consumo do combustível.
“O Estado foi pioneiro. Quando ninguém ainda via o potencial do biometano, nós identificamos essa tendência, antecipamos essa oportunidade e hoje o Brasil inteiro está copiando. E é uma honra que esteja copiando”, diz.

Atualmente, Goiás reúne diferentes frentes de produção de biometano. O combustível é obtido principalmente a partir da vinhaça — resíduo da produção de etanol — e por meio do tratamento de lixo, esgoto e resíduos urbanos.
Entre os empreendimentos citados está a instalação de unidades em usinas sucroenergéticas, como a da Jalles Machado e outras empresas do setor. Também está em implantação uma usina do Grupo Geo, em Guapó, responsável pela transformação de resíduos urbanos em combustível renovável.
Outro diferencial do projeto goiano é a construção de um gasoduto ligando Guapó a Goiânia, com cerca de 35 a 40 quilômetros de extensão. A estrutura permitirá o transporte do biometano diretamente até pontos de abastecimento, eliminando a necessidade de caminhões para logística do combustível.
Segundo Adriano, Goiás já possui parte da frota em circulação abastecida com biometano e prevê ampliar o modelo nos próximos meses.
“Temos 500 ônibus autorizados, parte deles já comprada e rodando em Goiânia. A expectativa é que toda essa frota opere com biometano”, afirma.
A estimativa é que os 500 ônibus consumam aproximadamente 120 mil metros cúbicos de biometano por dia. Caso fossem abastecidos exclusivamente com diesel, a necessidade seria equivalente a cerca de 110 mil litros diários de combustível fóssil.
“Isso significa retirar do sistema mais de 100 mil litros de diesel por dia. É uma redução importante de combustível fóssil e das emissões de poluentes”, afirma Adriano.
Além do impacto ambiental, o projeto busca fortalecer a autonomia energética regional. Goiás é o segundo maior produtor de etanol do país, o que amplia a disponibilidade de matéria-prima para produção de biometano.
Segundo Adriano, o modelo também gera fertilizantes orgânicos como subproduto, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo uma cadeia produtiva circular.
“O Estado vive um momento ímpar”, diz Gean Carvalho
Desde 2019, Goiás vive uma nova fase de desenvolvimento marcada pela execução de projetos estratégicos, segundo o secretário de Governo, Gean Carvalho. Ele destaca que ações iniciadas durante a gestão de Ronaldo Caiado seguem avançando e terão continuidade com Daniel Vilela. Entre os principais projetos está a implantação da cadeia do biometano voltada ao transporte coletivo, considerada uma iniciativa pioneira no país. “É um projeto de governo, não de uma pessoa. Os projetos prioritários seguem adiante porque fazem parte de uma política estruturada de longo prazo”, afirmou.
O secretário explica que o Estado não investiu diretamente na instalação das empresas produtoras, mas atuou na criação de condições para atrair o setor privado, por meio de incentivos fiscais, financiamento e garantia de demanda. A principal estratégia foi integrar o biometano à renovação da frota do transporte coletivo, que prevê ônibus elétricos, a diesel e movidos ao combustível renovável. “Sem demanda ninguém investe para produzir. O governo criou as condições para que essa cadeia econômica se tornasse viável”, disse Gean Carvalho.

A expectativa é que a frota chegue a cerca de 500 ônibus movidos a biometano, consolidando Goiás como referência nacional no setor. Segundo o secretário, o diferencial do modelo goiano está na integração entre política fiscal, infraestrutura e disponibilidade de matéria-prima. O Estado já possui gasoduto em implantação e abundância de resíduos orgânicos capazes de sustentar a produção. “Goiás não foi o primeiro a usar biometano, mas se posiciona como pioneiro no transporte coletivo em escala, criando um case brasileiro”, destacou.
Gean Carvalho também avalia que o avanço do biometano se soma a outros indicadores que colocam Goiás em evidência nacional, como segurança pública, educação e inovação tecnológica. Para ele, o crescimento econômico e a atração de investimentos fortalecem a geração de emprego e renda. “O Estado vive um momento ímpar, com iniciativas que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Não adianta Goiás crescer se o goiano não crescer junto”, destacou.
Transporte coletivo de Goiás terá frota a biometano
A proposta prevê a substituição gradual da frota por veículos menos poluentes, incluindo ônibus elétricos, movidos a biometano e modelos Euro 6. Segundo o diretor-executivo do Consórcio BRT, Laércio Ávila, a iniciativa surgiu a partir de uma diretriz estadual para descarbonizar o transporte público e estimular novas alternativas energéticas.

“O governo estabeleceu como política pública que a renovação da frota deveria ocorrer com veículos verdes, com menor impacto ambiental. O objetivo é transformar resíduos em energia limpa e reduzir a emissão de carbono no transporte coletivo”, afirma Laércio Ávila. Ele explica que o Consórcio BRT ficou responsável por estruturar a infraestrutura, garantir o abastecimento energético e operacionalizar a implantação dos novos veículos no sistema.
Apesar da articulação do poder público, Ávila destaca que não houve investimento financeiro direto do governo na instalação da usina que fornecerá o combustível. Segundo ele, o Estado criou as condições para o mercado se desenvolver ao apresentar uma demanda concreta pelo biometano, o que atraiu a iniciativa privada. “Não existe dinheiro público na concepção da usina. O que viabilizou o investimento privado foi a existência de demanda garantida pelo transporte coletivo”, diz.
A empresa Ecogeo/Geobiogás foi contratada pelo Consórcio BRT para fornecer o biometano e instalar uma unidade de produção em Guapó, com prazo de até 24 meses para operação. Inicialmente, o combustível será transportado por via terrestre do estado do Paraná até a produção local entrar em funcionamento. “Esse era o dilema do biometano: sem demanda não há oferta. A política pública ajudou a quebrar esse ciclo ao criar um consumidor em larga escala”, afirma Ávila. Até o fim de 2027, cerca de 500 ônibus movidos a biometano devem integrar a frota do transporte coletivo da Grande Goiânia.

Usina de biometano em Guapó deve entrar em operação em 2028
O avanço do uso de biometano em Goiás está ligado à criação de um mercado consumidor impulsionado pelo governo estadual, segundo Eduardo Ken Mizuta, diretor da EcoGeo/Geo Biogas & Carbon. De acordo com ele, a estratégia foi estimular a substituição gradual dos ônibus movidos a diesel por veículos abastecidos com biometano, criando demanda suficiente para atrair investimentos privados. “O governo criou a demanda, e as empresas passaram a enxergar segurança para investir na construção das usinas”, afirmou.

Segundo Mizuta, a atuação do Estado ocorreu principalmente por meio da criação desse mercado consumidor, sem aporte financeiro direto. Para ele, o incentivo foi decisivo para despertar o interesse empresarial. “A participação do Estado foi justamente criar a demanda. Não foi um investimento em cifras, mas uma política que permitiu o surgimento de novos projetos”, destacou.
A EcoGeo prevê investir cerca de R$ 140 milhões em uma usina de biometano em Goiás. A expectativa é que a estrutura seja concluída em aproximadamente dois anos, com início de operação previsto para 2028. A planta deverá produzir inicialmente 28 mil metros cúbicos de biometano por dia, volume suficiente para abastecer cerca de 100 ônibus. O empreendimento já nasce com capacidade de expansão, podendo atingir até 90 mil metros cúbicos diários no futuro.
A produção será baseada em resíduos orgânicos, especialmente provenientes da indústria alimentícia, frigoríficos e granjas. Mizuta explicou que a empresa já mantém contrato com o consórcio BRT e começou a fornecer biometano trazido de uma unidade em Londrina, no Paraná, para testes em Goiânia. Atualmente, oito ônibus movidos a biometano passam por fase experimental. “A frota de ônibus a biometano já é uma realidade e existe um plano de substituição gradual dos veículos a diesel”, afirmou.
Para o diretor, o biometano apresenta vantagens econômicas e estratégicas por ser produzido localmente, reduzindo a dependência do mercado internacional de petróleo. Ele avalia que a tendência é de aumento da competitividade à medida que novas usinas sejam instaladas em Goiás. “Com mais produtores e maior escala, o preço tende a cair. Goiás tem grande potencial porque possui forte produção agroindustrial e ampla oferta de matéria orgânica”, disse.

Mizuta afirma que Goiás se destaca como pioneiro no uso do biometano no transporte público, favorecido pela abundância de matéria-prima e pelo apoio institucional. A escolha de Guapó para sediar a usina levou em consideração a proximidade com a Região Metropolitana de Goiânia e com propriedades rurais, que também utilizarão fertilizantes gerados no processo. “Guapó reúne logística favorável e proximidade com clientes do setor agrícola, conectando cidade e campo”, explicou.
Prefeito destaca geração de empregos com instalação de usina
A chegada da usina de biometano em Guapó deve impulsionar a economia local, principalmente pela geração de empregos e pelo aumento da arrecadação municipal. O prefeito Frank Estevan avalia que os benefícios superam possíveis impactos negativos e destaca que a instalação da empresa representa um marco para o início do desenvolvimento industrial da cidade.
Segundo ele, a expectativa é de criação de cerca de 50 empregos diretos e outros 50 indiretos, além da movimentação econômica provocada por empresas terceirizadas ligadas à operação da usina. “O impacto positivo é bem maior, principalmente na geração de empregos. Isso vai nos ajudar bastante, tanto na renda da população quanto na arrecadação do município, permitindo que a cidade desenvolva mais ações e investimentos”, afirma Frank Estevan.
Frank Estevan acredita que a presença da empresa tende a estimular a chegada de outras atividades econômicas relacionadas ao setor industrial, criando um ambiente favorável para expansão produtiva. “É um grande marco para Guapó, o começo do desenvolvimento industrial e da geração de emprego. Uma empresa vai chamando outra, atraindo investimentos e criando oportunidades”, destaca. Ele também afirma que a prefeitura já avalia adequações no plano diretor para viabilizar, futuramente, a criação de um polo industrial na região.

Goiás avança antes de estados mais estruturados
Segundo Talyta Viana, coordenadora Técnica e Regulatória da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), Goiás reúne condições estratégicas para liderar esse mercado, graças à forte presença do agronegócio, da indústria sucroenergética e da geração de resíduos urbanos e industriais.
“Goiás tem sido um destaque positivo porque possui grande disponibilidade de resíduos com potencial energético e estruturou políticas públicas voltadas ao biometano”, afirma Talyta Viana. Ela explica que o biogás é produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos e, após processo de purificação, transforma-se em biometano, combustível equivalente ao gás natural e capaz de abastecer indústrias, veículos pesados e sistemas de transporte coletivo.
Nos últimos anos, o biometano ganhou protagonismo como alternativa ao diesel, especialmente no transporte de cargas e passageiros. Para a especialista, o combustível renovável surge como solução estratégica diante da dependência brasileira de combustíveis fósseis importados e das oscilações de preço do mercado internacional. “O uso do biometano reduz a dependência externa e contribui para uma matriz energética mais segura e sustentável”, destaca.
Mesmo sem possuir rede de gasodutos, Goiás se destaca nacionalmente. “Eu sou apaixonada pelo caso de Goiás, porque mesmo sem gasoduto o estado está se movimentando mais do que outros que já possuem infraestrutura consolidada”, afirma Talyta. Atualmente, o estado possui mais de 100 plantas de biogás e três grandes projetos de biometano em fase de autorização, localizados em Edéia, Rio Verde e Guapó.

De acordo com a coordenadora da ABiogás, o potencial goiano está principalmente ligado ao setor sucroenergético, que gera grandes volumes de resíduos aproveitáveis para produção de energia renovável. Além disso, resíduos da proteína animal, aterros sanitários e indústrias alimentícias ampliam as possibilidades de expansão. “Goiás está caminhando junto com a evolução do setor no Brasil e contribuindo diretamente para ampliar a oferta nacional de biometano”, destacou Talyta Viana.
Biometano reduz impactos ambientais e reaproveita resíduos
Considerado uma alternativa ambientalmente correta, o biometano reduz a emissão de gases poluentes, reaproveita resíduos e contribui para a transição energética em diferentes setores da economia, explica o gestor ambiental Marcos Cabral.
Para Marcos Cabral, o cenário é promissor, principalmente em regiões com alta produção de resíduos. “Quando eu olho para o biometano, vejo com bastante otimismo uma coisa positiva. É uma solução renovável, porque aproveita um material que já está sendo gerado, sem necessidade de novas perfurações ou exploração ambiental”, afirma. Segundo ele, granjas e propriedades rurais já utilizam sistemas capazes de transformar resíduos em energia e até gerar créditos de carbono.
Cabral destaca ainda que Goiânia possui condições favoráveis para ampliar a cogeração de biometano, especialmente por meio do aterro municipal. “Existe um grande potencial para produção de biometano a partir dos aterros sanitários, porque eles concentram matéria orgânica e gás que poderiam ser aproveitados”, explica. O especialista ressalta que o biometano pode substituir integralmente o gás natural em diversas aplicações industriais, incluindo processos térmicos e geração de vapor, tornando-se peça importante na cadeia produtiva.

Apesar das possibilidades, o gestor alerta para desafios relacionados à gestão de resíduos sólidos urbanos. Segundo ele, Goiás ainda possui poucos aterros homologados, o que contribui para a perda de matéria orgânica e para a contaminação do solo e dos aquíferos. “O biometano não é mais o futuro, ele já é o presente, mas ainda é desperdiçado. É necessário investir e aproveitar melhor os resíduos que já existem”, afirma Cabral.
Para ele, ampliar o aproveitamento energético dos resíduos pode reduzir passivos ambientais, diminuir a dependência de combustíveis fósseis e gerar benefícios ao meio ambiente e à população.
Outras plantas de produção
A produção de biometano em Edéia, no sul de Goiás, ganhará impulso com a construção de uma nova planta da bp bioenergy, viabilizada por financiamento de R$ 244,9 milhões aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A unidade será instalada junto à Usina Tropical e terá capacidade para produzir cerca de 67 mil metros cúbicos de biometano por dia, utilizando a vinhaça — resíduo gerado na produção de etanol de cana-de-açúcar — como principal matéria-prima. O projeto reforça o potencial do município como polo de energia renovável e amplia o aproveitamento de resíduos agroindustriais.
Com investimento total estimado em R$ 275,8 milhões, a planta deve entrar em operação em 2027 e gerar aproximadamente 300 empregos diretos e indiretos durante sua implantação. O biometano produzido em Edéia será destinado aos setores industrial e de transporte, contribuindo para a redução de emissões de gases de efeito estufa e fortalecendo a economia circular no agronegócio goiano. A iniciativa também posiciona Goiás como referência nacional na expansão de combustíveis renováveis.

Jalles aposta no biometano para ampliar sustentabilidade
A produção de biometano a partir de resíduos da cadeia sucroenergética está entre os novos projetos avaliados pela Jalles Machado, empresa do setor sucroenergético sediada em Goianésia, especializada na produção de açúcar, etanol, energia elétrica e subprodutos. A iniciativa busca ampliar o aproveitamento de resíduos industriais e reforçar a estratégia de sustentabilidade da companhia.
Segundo o diretor-presidente da Jalles, Otávio Lage de Siqueira Filho, o projeto surgiu diante da expansão global de investimentos em fontes renováveis de energia. “Há uma tendência mundial de investimentos em energias renováveis, e o biometano surge na cadeia sucroenergética como uma alternativa importante”, afirmou.

De acordo com ele, a unidade Otávio Lage, em Goianésia, já possui um biodigestor capaz de produzir biogás a partir da vinhaça da cana-de-açúcar. Atualmente, esse biogás é utilizado na geração de energia elétrica por meio de caldeiras. A proposta é purificar esse insumo para obter biometano.
A intenção de implantar a estrutura foi divulgada ao mercado em abril de 2025, por meio de fato relevante. No entanto, o início das obras depende do cumprimento de requisitos financeiros e comerciais.
“Divulgamos a intenção de implantação, mas o projeto está condicionado à obtenção de financiamento e à formalização de contratos para comercialização do gás. Como essas condições ainda não foram atendidas, o projeto ainda não foi iniciado”, explicou.
Além de representar uma nova alternativa de receita, a produção de biometano também pode ampliar o aproveitamento dos resíduos gerados pela usina. Após o processo de purificação, a vinhaça continua sendo utilizada no campo.
“Após a produção do biometano, permanece uma vinhaça com pH mais neutro, que pode continuar sendo usada como insumo agrícola para a cana-de-açúcar”, disse.
A expectativa da companhia é que a futura planta tenha capacidade de produzir cerca de 10 milhões de Nm³ de biometano. O combustível poderá ser utilizado internamente, substituindo diesel em operações industriais, além de atender setores como transporte e logística.

“O biometano pode ser usado dentro da própria indústria ou em substituição aos combustíveis fósseis no transporte. Um exemplo é a aquisição de ônibus movidos a biometano pelo Governo de Goiás para a região metropolitana de Goiânia”, destacou.
Para a empresa, a entrada no segmento não representa apenas diversificação energética, mas também um reforço à política de sustentabilidade. “A produção de biometano é uma nova fonte de receita, mas também está alinhada à estratégia da companhia de investir em soluções sustentáveis. A sustentabilidade é um dos nossos valores”, afirmou.
Segundo o executivo, a adoção do combustível renovável pode trazer impactos ambientais positivos para a região, especialmente pela substituição de combustíveis fósseis.
“A proposta é substituir combustíveis como diesel, GLP e óleo combustível por uma alternativa renovável, reduzindo significativamente as emissões de CO₂ e contribuindo para a transição energética”, destacou.
Fonte: Jornal Opção.

