Goiás

Mina de terras raras vendida a empresa dos EUA por US$ 2,8 bilhões em Goiás: o que muda na prática?

A mineradora iniciou sua produção comercial em janeiro de 2024. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, foram exportadas quase 678 toneladas de terras raras para a China.

No entanto, em 2026, Goiás exportou apenas 2 toneladas para os Estados Unidos, com valor de US$ 67 mil. No ano passado, foram exportados 51 kg para os norte-americanos.

Impasse

Na sexta-feira (24), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o subsolo do território brasileiro pertence à União e que cabe a ela regulamentar a exploração de terras raras e minerais críticos.

Em entrevista ao programa à emissora governamental Canal Gov na sexta-feira (24) , ele ressaltou que o memorando de entendimento entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para a exploração de terras raras no estado tem um vício de inconstitucionalidade e “não se sustenta”.

g1 entrou com o governo de Goiás para pedir um posicionamento sobre a declaração do ministro, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Além disso, deputados do PSOL chegaram a protocolar, na última quarta-feira (22), uma representação na Procuradoria-Geral da União (PGR) questionando a legalidade da aquisição da mineradora Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth (USAR).

Mina de terras raras em Minaçu (GO) é alvo de acordo bilionário entre empresa brasileira e americana; operação prevê expansão da produção e fornecimento por 15 anos — Foto: Divulgação/Serra Verde
Mina de terras raras em Minaçu (GO) é alvo de acordo bilionário entre empresa brasileira e americana; operação prevê expansão da produção e fornecimento por 15 anos — Foto: Divulgação/Serra Verde

Vai gerar empregos em Goiás?

Trabalhadores que atuam na extração de terras raras, em Minaçu — Foto: Divulgação/Serra Verde
Trabalhadores que atuam na extração de terras raras, em Minaçu — Foto: Divulgação/Serra Verde

Atualmente, a mineradora emprega cerca de 400 pessoas no município de 27 mil habitantes, sendo aproximadamente 72% da força de trabalho formada por moradores da região.

De acordo com o presidente da Serra Verde, há expectativa de que a venda gere novos empregos em Goiás.

“A empresa combinada terá receitas asseguradas por um acordo de fornecimento de 15 anos, uma estrutura financeira sólida, operações diversificadas em várias partes do mundo e acesso a tecnologia de ponta no setor, o que a posiciona como líder global”, disse Grossi.

Inicialmente, o foco da mineradora continua sendo a execução do projeto de otimização e expansão para elevar a produção para 6,4 mil toneladas por ano de óxidos de terras raras até o fim de 2027. “Depois disso, a empresa combinada estará em uma posição mais forte para crescer e investir, potencialmente criando novas funções e promovendo um desenvolvimento econômico significativo em torno de Minaçu”, destacou.

Em entrevista ao g1, o prefeito Carlos Leréia (PSDB) disse que o acordo é um avanço importante não apenas para Minaçu ou para o estado, mas para o país. “Eu vejo que é um ganho significativo para o Brasil e especialmente para a minha cidade”, ressaltou.

“A mineração gera muito emprego e não só empregos só do período da pesquisa. Quando você vai implantar é muito emprego, depois quando você vai extrair continua muitos empregos. Então, é extremamente importante. E também a garantia do dinheiro, porque antes estavam vendendo para a China e o valor era muito reduzido. Agora os valores do quilo, da tonelada, vai aumentar em torno de seis a oito vezes”, afirmou.

Leréia relatou que a população encara com otimismo o investimento em terras raras na região, tendo em vista que a legalidade da extração de amianto, que era uma das bases da economia local, está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

“A Serra Verde preencheu esse espaço ofertando emprego e aumentando a movimentação econômica da cidade”, destacou o prefeito.

Centro da cadeia

Para a presidente do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO), Adriana Pereira de Sousa, a operação coloca o estado de Goiás no centro de uma cadeia produtiva estratégica para a economia global contemporânea.

De acordo com Adriana,municípios como Minaçu, onde se concentram operações minerais desse tipo, tendem a experimentar o aumento da arrecadação via royalties (CFEM), expansão da atividade econômica e maior circulação de renda.

No entanto, a especialista ressaltou que os efeitos fiscais mais robustos — como aumento significativo de arrecadação e geração consistente de empregos — tendem a se materializar no médio e longo prazo.

“A geração de empregos diretos e indiretos é uma possibilidade concreta, mas depende do grau de integração da empresa com fornecedores locais, da exigência de conteúdo local e de políticas de qualificação profissional. Sem essas condições, há o risco de que os benefícios sejam parcialmente ‘vazados’ para fora da economia regional, com importação de insumos e mão de obra especializada”, destacou.

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