Nipah ou Covid? Entenda as diferenças entre os vírus e o que a OMS diz sobre o surto na Índia
Vírus Nipah infectou a cidade de Bengala Ocidental e autoridades monitoram situação sem evidências de transmissão ampliada
A Organização Mundial da Saúde publicou uma atualização sobre os casos de infecção pelo vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental, no leste do país.

A OMS destacou ainda que a Índia já demonstrou capacidade de enfrentar surtos anteriores do vírus Nipah, com medidas de saúde pública sendo aplicadas de forma integrada por equipes estaduais e nacionais.
As autoridades sanitárias da Índia confirmaram neste mês dois casos de infecção pelo vírus Nipah (NiV). De acordo com o Ministério da Saúde indiano, os pacientes são profissionais de saúde: um homem, que apresenta recuperação, e uma mulher, que permanece em estado grave.
Vírus Nipah em Bengala Ocidental tem risco regional moderado
Apesar do risco global ser avaliado como baixo, a OMS classificou a situação regional em Bengala Ocidental como moderada. Isso ocorre devido à presença de reservatórios naturais do vírus na região, especialmente morcegos frugívoros, conhecidos por serem hospedeiros do patógeno.
Mesmo assim, a organização considera reduzida a chance de disseminação para outros estados indianos ou para outros países. Até o momento, não há registros de transmissão para outras pessoas, e as equipes médicas seguem acompanhando o cenário.
Vírus Nipah e coronavírus têm diferenças importantes
Os casos recentes reacenderam comparações com a pandemia de Covid-19, mas especialistas apontam que o vírus Nipah e o coronavírus apresentam diferenças relevantes, principalmente na forma de transmissão.
Enquanto o SARS-CoV-2 se espalha facilmente por partículas suspensas no ar, o Nipah exige contato mais direto. As informações são da Revista Veja.
“A infecção pelo Nipah Vírus requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais e frutas contaminadas pelo morcego regional dos locais onde há casos, por exemplo”, explica Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso sobre o Nipah.
Esse padrão de transmissão torna menos provável a ocorrência de uma pandemia global nos moldes da Covid-19, embora o risco não seja considerado inexistente.
Alta letalidade limita disseminação do vírus Nipah
Outro fator apontado como limitante para a expansão do vírus Nipah é sua elevada taxa de mortalidade. Segundo especialistas, a gravidade da doença reduz a possibilidade de transmissão em larga escala.
“Os pacientes morrem antes de conseguirem transmitir a doença”, ressalta o virologista Benedito Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
O Nipah costuma começar com sintomas semelhantes aos de gripe, mas pode evoluir rapidamente para encefalite grave, com comprometimento neurológico, vascular e respiratório.
Estima-se que a letalidade varie entre 40% e 75%, dependendo da rapidez no diagnóstico e da qualidade do atendimento clínico.
Transmissão entre pessoas é rara, diz OMS
De acordo com a OMS, a transmissão do vírus Nipah entre pessoas é incomum e tende a ocorrer principalmente em ambientes hospitalares ou em contatos familiares muito próximos.
Também não há registros de disseminação internacional associada a viagens, o que reforça a avaliação de baixo risco global no momento.
Fonte: ND Mais.
Foto: Reprodução.

