Saúde

Amamentação reduz em até 14% o risco de infarto nas mães; Goiás reforça campanha Agosto Dourado

Além de fortalecer o desenvolvimento do bebê, o aleitamento materno reduz o risco de doenças cardiovasculares, favorece a recuperação da mulher após o parto e é tema da campanha Agosto Dourado, que neste ano reforça a importância das redes de apoio à amamentação

Com a chegada do Agosto Dourado, Goiás intensifica as ações de incentivo ao aleitamento materno e chama atenção para benefícios que vão muito além da alimentação dos bebês. Neste ano, a campanha promovida pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) destaca a importância das redes de apoio à amamentação e reforça que a prática também contribui para a saúde da mulher, reduzindo o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A campanha de 2026 tem como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”e busca mobilizar famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e a sociedade para ampliar o suporte às mulheres desde a gestação até os primeiros anos de vida da criança. Durante o mês, a SES promoverá atividades educativas, ações de conscientização e capacitações voltadas à população e aos profissionais da área da saúde.

A mobilização começa com a Semana Mundial do Aleitamento Materno, celebrada na primeira semana de agosto. Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é que o bebê receba apenas leite materno até os seis meses de idade, sem água, chás ou outros alimentos. A partir dessa fase, deve-se iniciar a introdução alimentar, mantendo a amamentação até os dois anos de idade ou mais.

Leite materno vai além da nutrição

Considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida, o leite materno fornece todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento da criança. Além disso, fortalece o sistema imunológico, reduz o risco de infecções, alergias e doenças crônicas e acompanha as necessidades do bebê ao longo do desenvolvimento, adaptando sua composição de forma natural.

Outro benefício destacado pela SES é o fortalecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho. A amamentação também favorece o desenvolvimento físico e cognitivo da criança e, por dispensar embalagens, transporte e processos industriais, é considerada uma prática ambientalmente sustentável.

Segundo a coordenadora de Saúde Materno Infantil da SES, Maíra Wolney Costa Mathews, garantir o sucesso da amamentação depende de uma rede de apoio sólida.

“O tema deste Agosto Dourado reforça que precisamos fortalecer tudo aquilo que já funciona para garantir que cada pessoa que amamenta tenha apoio desde a gestação até os primeiros anos de vida da criança. Esse suporte deve envolver a família, os profissionais de saúde, os gestores e toda a comunidade, porque a amamentação é uma responsabilidade compartilhada.”

Entre as iniciativas que contribuem para esse suporte estão os Bancos de Leite Humano, os Hospitais Amigos da Criança, as unidades que desenvolvem a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), grupos de apoio, creches amigas da amamentação e salas destinadas à amamentação nos ambientes de trabalho.

Benefícios também alcançam a saúde da mãe

Além dos efeitos positivos para o bebê, estudos reunidos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) mostram que o aleitamento materno traz benefícios duradouros para a saúde da mulher.

Segundo a entidade, mulheres que amamentam apresentam cerca de 11% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Entre aquelas que mantêm a amamentação por períodos mais prolongados, a redução chega a 12% no risco de acidente vascular cerebral (AVC) e 14% na probabilidade de infarto.

De acordo com a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita, esses benefícios estão relacionados às transformações que o organismo feminino sofre durante a lactação.

Durante a gestação, o corpo aumenta naturalmente a resistência à insulina, eleva os níveis de colesterol e acumula reservas de gordura para suprir as necessidades do bebê. Após o parto, a produção de leite ajuda a reorganizar esse metabolismo, utilizando parte dessas reservas e favorecendo o equilíbrio do organismo.

A amamentação melhora a sensibilidade à insulina, auxilia no controle da glicose, reduz a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca, fazendo com que o coração trabalhe com menos esforço.

Hormônios ajudam a proteger o coração

Outro fator apontado pelos especialistas é a ação dos hormônios produzidos durante a lactação.

Nesse período, há aumento da liberação de substâncias como ocitocina, prolactina, hormônio do crescimento, grelina e glicocorticoides, que exercem efeito protetor sobre o sistema cardiovascular.

A ocitocina, conhecida como o “hormônio do amor”, merece destaque por favorecer a dilatação dos vasos sanguíneos, melhorar a circulação e contribuir para a proteção do músculo cardíaco contra lesões provocadas pela falta de oxigenação.

Segundo Alexandra Mesquita, essas alterações também melhoram o funcionamento do endotélio, camada que reveste internamente as artérias e é fundamental para manter a saúde da circulação.

Principal causa de morte entre mulheres

A Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras.

Segundo a entidade, elas respondem por aproximadamente 33% da mortalidade feminina, índice superior ao registrado por qualquer tipo de câncer, inclusive o de mama.

Além de fatores comuns aos homens, como hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo, as mulheres possuem fatores de risco específicos, entre eles menopausa precoce, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, uso de anticoncepcionais hormonais e complicações durante a gestação, como hipertensão gestacional e diabetes gestacional.

Benefícios para toda a família

Especialistas destacam que incentivar o aleitamento materno representa um investimento em saúde pública.

Além de favorecer o desenvolvimento infantil e reduzir o risco de diversas doenças, a amamentação contribui para a recuperação da mulher no pós-parto, diminui o risco de câncer de mama e de ovário, fortalece o vínculo entre mãe e filho e ainda gera economia para as famílias ao reduzir a necessidade de fórmulas e suplementos infantis.

Para a Secretaria de Estado da Saúde, o sucesso da amamentação depende de um esforço coletivo. Por isso, a campanha Agosto Dourado reforça que garantir apoio às mulheres que amamentam é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, profissionais de saúde, empregadores, gestores públicos e toda a sociedade.

Fonte: Jornal Opção.

Foto: Reprodução.

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